Há tempos despoesiantes
Quando vencem a realidade dura
e as razões
e os portões
Grades escuras que separam
Fica o foco fixo
na ilusão pura da tal certeza das decisões
A chama da alma sufocada
chama pra si o abraço e a verdade
mas se afoga
na vitória folgada da razão
Um dia aprendi que razão é divisão
E apesar da minha aversão a escolas
devo admitir que esse acerto foi cheio
Me dividiu em mil
todos incógnitos
e afastou a parte que me falta
A razão entre dois e um
acabou que deu meio
Arrancou a parte que completava meu silêncio
e me ria
e prazerava
e sabia ser passarinho
e me ver fruta madura
Um bacuri
Como faz falta o silêncio
onde estão os diálogos profundos
como os olhares que arrancam a verdade
e estancam a dúvida
Uma estaca no peito feito em falácias
Me assola esse silêncio forçadamente solitário
sem o diálogo digital suado
hoje soado nos ecos da lembrança
O portão escuro que separa
espero que se desfaça
com o simples olhar duplo que não o quer tão material e visível
Assim me voltará a poesia
Porque nesse silêncio só
não consigo que algum recanto seja meu
Eu, dividido, só sei quase ser...
MORTE EM VENEZA
Há 14 anos
2 comentários:
Se tempos despoesiantes produzem poesias como essa, benditos sejam! Desde já uma de minhas favoritas.
A verdade é que o mérito é todo do poeta que consegue fazer florescer entre pedras e razões. Perdão por não ter escrito isso no comentário anterior... sabe como é... efeito retardado rsrs
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